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Themis, Deusa da justiça e da ordem

Inspirado em Themis, o blogue procura ser um espaço de razão, equilíbrio e clareza, onde se cruzam os valores da cidadania e da política, defendendo a justiça e o bem comum.

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Themis, Deusa da justiça e da ordem

01
Dez25

SAÚDE PÚBLICA E RESPONSABILIDADE COLETIVA: O QUE APRENDEMOS COM A LUTA CONTRA A SIDA


Themis do Castelo

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Dia Mundial da SIDA, 1 de dezembro

 

Assinalar o Dia Mundial da SIDA é lembrar-nos que a resposta às grandes crises de saúde pública nunca é apenas do foro médico e clínico, mas sim estrutural, político e profundamente social.

A resposta global coordenada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) foi decisiva no combate à SIDA, sobretudo nos territórios mais pobres e estruturalmente fragilizados, onde a ausência de infraestruturas médicas, recursos económicos e estabilidade política tornava impossível enfrentar a pandemia de forma isolada. A OMS assumiu o papel de garantir orientação científica, vigilância epidemiológica, distribuição de medicamentos essenciais, formação de profissionais e apoio técnico a sistemas de saúde frágeis, permitindo que países com muito poucos meios pudessem, ainda assim, montar respostas mínimas de prevenção, diagnóstico e tratamento. Sem essa mobilização internacional, que juntou Estados, organizações humanitárias e instituições científicas, a mortalidade teria sido incomparavelmente maior e vastas regiões do mundo teriam ficado entregues a um colapso sanitário sem precedentes. A lição é clara: perante crises globais, só a ação coletiva salva vidas.

Em Portugal, também a história do combate à SIDA esteve, e continua a estar, diretamente ligada à dinâmica do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Hoje, quando celebramos esta data, importa reconhecer os grandes desafios da saúde em Portugal que enfrentamos e, atualmente, talvez o maior deles seja mesmo o de assistirmos a um abandono progressivo do SNS por parte do Estado, embrulhado num conjunto de reformas e contra-reformas, experimentações organizativas e ensaios de “cooperação” com o setor privado, que parecem ficar sempre àquem do propalado benefício na prestação de serviços publicos e, em sentido contrário, apenas têm contribuido para o aumento da despesa orçamental para a área da saúde.

O desinvestimento no SNS em benefício de instituições privadas, que, importa referir, estão já nas mãos de grande grupos económicos que revelam uma crescente concertação e cartelização em prejuízo claro do Estado, terá um custo elevado para a sociedade no longo prazo porque, ao fragilizar a capacidade do SNS, deixaremos de garantir igualdade de acesso à saúde, sobretudo onde ele é mais necessário, ou seja no interior, nas zonas rurais e junto das populações mais vulneráveis.

A diferença entre litoral e interior, entre urbano e rural, entre ricos e pobres, torna-se cada vez mais visível quando o sistema se segmenta. Nos grandes centros urbanos, a oferta privada cresce, mas nos territórios rurais e de baixa densidade populacional, o SNS continua muitas vezes a ser a única porta aberta. Quando essa porta enfraquece, toda a comunidade fica mais exposta, não apenas a doenças como a SIDA , mas a qualquer ameaça sanitária futura.

Qualquer campanha nacional, seja de prevenção, rastreio ou tratamento, só é possível com um SNS forte, integrado, bem financiado e com presença efetiva no território. A saúde pública não se garante com “ilhas de excelência”, mas com redes sólidas e com a certeza de que cada cidadão, viva onde viver, terá acesso aos mesmos meios, aos mesmos profissionais e às mesmas oportunidades de tratamento.

É por isso que a crescente dependência de seguros de saúde levanta um debate urgente. Não porque não possam ser úteis, mas porque criam dois caminhos paralelos: um para quem pode pagar; outro para quem fica entregue à capacidade cada vez mais limitada do SNS. E num país marcado por profundas desigualdades territoriais, esta divisão agrava-se ainda mais. O interior perde médicos, perde serviços, perde população e perde, sobretudo, o direito constitucional à igualdade na saúde.

No Dia Mundial da SIDA, vale a pena recordar: nenhuma doença se combate isolando pessoas; combate-se fortalecendo sistemas.

É o SNS que garante equidade e justiça.

É o SNS que permite chegar a quem vive longe, a quem não tem recursos, a quem precisa de acompanhamento constante.

E é o SNS que assegura que a saúde é um direito universal e não apenas um produto para quem possa pagar.

Fortalecer o SNS não é um gesto ideológico, embora, admito, que para muitos até poderá apenas ser isso, mas para mim é muito mais, é antes um verdadeiro investimento civilizacional.

Se Portugal conseguiu enfrentar a SIDA e a COVID-19 com alguma eficácia – e aceito logo à priori que essa leitura será sempre multipla e diferenciada –, foi porque tinha um sistema público que, apesar das fragilidades, funcionava em rede, chegava ao país inteiro e tratava cada cidadão como igual. Abandoná-lo agora, num tempo de novas epidemias e desafios globais, seria um erro histórico.

A saúde pública exige proximidade, solidariedade e capacidade de resposta coletiva. Nenhuma destas dimensões é assegurada por um mercado fragmentado. Todas dependem de um SNS robusto, territorialmente equilibrado e comprometido com a igualdade.

No combate às grandes crises da saúde, de ontem, de hoje e de amanhã, não podem haver atalhos, mas sim sistemas fortes.

E, espero eu, um país que não abandone ninguém.


Post scriptum:

A propósito de saúde…o que está a ser feito atualmente pelo nosso Centro de Saúde local?

O novo executivo camarário já reuniu com a Coordenadora da USF Vale do Sorraia?

Já ouviu o respetivo Conselho Técnico?

Há reuniões previstas com as autoridades de saúde regionais ou mesmo com o Governo?

Que tipo de prestação de serviços de saúde poderemos esperar nos próximos tempos no concelho?

Este é um assunto demasiado importante para ficar em lume brando… julgo que todos os coruchenses querem (e merecem!) respostas.

25
Nov25

CONHECIMENTO PARA TODOS: PORQUE A CIÊNCIA TAMBÉM COMEÇA NO TERRITÓRIO


Themis do Castelo

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Dia Nacional da Cultura Científica, 24 de novembro

Assinalar o Dia Nacional da Cultura Científica parece levantar à partida um paradoxo evidente: celebramos uma data “nacional” quando a ciência, hoje, é cada vez mais global. A produção científica circula em redes internacionais, responde a desafios que atravessam fronteiras e afirma-se como um património comum da humanidade.

No entanto, a meu ver a celebração de ontem continua a fazer sentido porque a cultura científica, entendida lato sensu como a capacidade de compreender, usar e discutir conhecimento, constrói-se sempre a partir do território, das pessoas e das instituições que dão corpo ao processo educativo e social.

As escolas são o primeiro espaço onde essa cultura se forma. É ali que os alunos aprendem a observar, questionar, testar e interpretar. Quando o ensino valoriza o pensamento crítico e liga a teoria ao mundo real, cria cidadãos mais preparados para compreender debates científicos e participar de forma informada na vida pública. A cultura científica começa assim, muitas vezes, na experiência de laboratório, num projeto escolar ou num exercício simples de observação.

Os museus, centros de ciência e espaços de divulgação desempenham uma função complementar. Traduzem conhecimento especializado para o público e aproximam temas complexos da experiência quotidiana. Num contexto atual onde a desinformação se espalha com facilidade, estes espaços ajudam a criar confiança na ciência e promovem o debate informado, essencial numa sociedade democrática.

Mas a cultura científica exige mais do que divulgação: exige uma relação sólida entre academia e sociedade. A investigação produzida nas universidades tem de dialogar com as comunidades, ouvir os seus problemas, incorporar saberes locais e devolver resultados que façam diferença no terreno. O território deixa de ser apenas um objeto de estudo e passa a ser um parceiro da investigação. Este vínculo fortalece a relevância social da ciência e garante que o conhecimento produzido tem retorno concreto aos territórios e às suas comunidades, quer seja em forma de soluções, tecnologias, políticas ou simples melhoria de práticas sociais.

Num tempo em que os grandes desafios são globais, desde o clima à saúde pública, da tecnologia à economia, a cultura científica é essencial para garantir participação informada e decisões responsáveis. Sociedades com maior literacia científica são mais capazes de avaliar informação, exigir transparência, compreender riscos e benefícios e participar na definição de políticas públicas.

Celebrar este dia nacional, mesmo num mundo globalizado, não é pois um gesto contraditório. É antes de mais um lembrete de que a ciência é universal, mas a capacidade de a entender e aplicar depende de como a trabalhamos no território: nas escolas, nos museus, nas instituições públicas, nas empresas, nas associações e na própria comunidade. A cultura científica não se decreta, constrói-se diariamente, em proximidade com as pessoas.

Por isso, reforço aqui a ideia de que o conhecimento tem de ser acessível, discutido e colocado ao serviço da sociedade. A ciência começa no território, mas só cumpre o seu papel quando volta a ele.

A cultura científica é, afinal, uma condição para uma cidadania mais consciente e para uma democracia mais robusta.

20
Nov25

TOLERÂNCIA E INFÂNCIA: LIÇÕES PARA UMA SOCIEDADE LIVRE


Themis do Castelo

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O modo como tratamos o outro revela o tipo de futuro que estamos dispostos a construir...

 

Dias da Tolerância(16) e dos Direitos da Criança(20)

Vivemos tempos em que a pressa das opiniões parece substituir o silêncio da reflexão. A tolerância, outrora entendida como virtude de convivência e sinal de maturidade democrática, é hoje, demasiadas vezes, tratada como fraqueza, confundida com concessão ou complacência. Mas, na minha opinião, o seu verdadeiro sentido deverá outro: tolerar é compreender que a liberdade só é plena quando é partilhada.

Como poderemos ser realmente livres se não permitirmos a liberdade ao “outro”?

De igual modo, todos os anos enchemos a boca com palavras bonitas ou repetimos gestos simbólicos ao celebrarmos o Dia dos Direitos da Criança. Mas isso não basta!

É preciso garantir, na prática, que cada criança possa crescer num ambiente de afeto, segurança e verdade, livre do medo, da manipulação e do exemplo tóxico de um mundo adulto que tantas vezes prega uma coisa e faz o contrário.

Mas como?

- A sociedade que tolera a injustiça está a ensinar a intolerância.

- A comunidade que cala diante da manipulação está a ensinar o medo.

- E o país que permite que as suas crianças cresçam sem referências de integridade está a comprometer o seu próprio futuro.

A tolerância e a infância encontram-se no mesmo lugar: o da responsabilidade. E essa é de todos e de cada um de nós. Ser tolerante é reconhecer o outro como igual em dignidade. Proteger as crianças é garantir que essa dignidade se aprenda cedo e se pratique para sempre. Ambas exigem coragem ética e moral: a coragem de ouvir, de discordar com respeito, de não instrumentalizar a fragilidade, e de não fazer da política um campo de arrogância e prepotência, mas sim um exercício de serviço e exemplo.

Uma sociedade livre não se mede apenas pela força das suas leis, mas pela qualidade humana dos seus gestos. Ser livre é poder falar; ser justo é saber quando e como se fala. E é precisamente nesse equilíbrio, entre o uso da palavra e o bom senso do cuidado, entre o exercício da autoridade e a virtude do exemplo, que se decide o futuro coletivo que deixaremos às nossas crianças.

 

11
Nov25

S. Martinho – História, Lenda e Tradição


Themis do Castelo

S. Martinho – História, Lenda e Tradição

São Martinho de Tours nasceu na Panónia (atual Hungria) por volta do ano 316 e foi um dos primeiros santos não mártires venerados pela Igreja. Soldado romano convertido ao cristianismo, é lembrado sobretudo pelo gesto de compaixão que deu origem à sua lenda: numa noite fria, ao encontrar um mendigo quase nu, Martinho cortou com a sua espada a capa que vestia e deu-lhe metade para se aquecer. Na mesma noite, conta-se que Jesus lhe terá aparecido em sonho...

Após deixar o exército, Martinho tornou-se monge e, mais tarde, bispo de Tours, em França, onde fundou mosteiros e defendeu a fé com humildade e dedicação. Terá morrido em 397 e o seu culto espalhou-se rapidamente por toda a Europa cristã.

O Dia de S. Martinho, celebrado a 11 de novembro, está profundamente ligado às tradições agrícolas e populares. Coincidindo com o fim das colheitas e a prova do vinho novo, tornou-se uma das festas mais emblemáticas do outono português.
É tempo de castanhas assadas, água-pé e vinho novo, partilhados em ambiente de confraternização comunitária — é o chamado Magusto.

Mas esta celebração é mais do que um momento de festa popular. É uma tradição enraizada na partilha e na solidariedade, inspirada no gesto generoso do santo, com os magustos comunitários, onde se renova esse espírito de entreajuda. Hoje, muitas coletividades, associações e instituições locais mantêm viva a tradição organizando magustos solidários, cujas receitas revertem para apoios sociais e causas humanitárias.

Alguns dizeres populares associados a este dia:

  • “No dia de S. Martinho, vai à adega e prova o vinho.”

  • “Pelo S. Martinho, castanhas, pão e vinho.”

  • “No dia de S. Martinho, mata o porco e prova o vinho.”

  • “No dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho

A celebração combina fé, partilha e gratidão pelas colheitas, evocando também o milagre do chamado “verão de S. Martinho”, um período de bom tempo que, segundo a tradição, surge sempre por esta altura em lembrança do gesto generoso do santo.

07
Nov25

O SISTEMA QUE ALIMENTA OS CACIQUES: A ENGRENAGEM INVISÍVEL DO PODER (Parte IV)


Themis do Castelo

Com esta última reflexão fechamos este ciclo. Ampliamos o foco e mostramos que o caciquismo não é apenas resultado de comportamentos individuais, mas fruto de uma engrenagem institucional que o protege e multiplica.

Partidos transformados em estruturas fechadas, cargos públicos usados como moeda de troca, associações dependentes de subsídios, tudo concorre para manter a lealdade acima do mérito e a conveniência acima da transparência.

O caciquismo, afinal, não é só uma herança do passado: é um sintoma de como o poder se reproduz sem se reformar. Combater o fenómeno exige coragem, transparência e cidadania ativa. Só quando o poder voltar a ser verdadeiramente público, e os cidadãos perceberem que não precisam de pedir o que lhes pertence, o caciquismo deixará de ter terreno onde florescer.

 

O SISTEMA QUE ALIMENTA OS CACIQUES: A ENGRENAGEM INVISÍVEL DO PODER

O caciquismo, antigo ou moderno, não sobrevive por acaso. É sustentado por um sistema que o alimenta, feito de silêncios cúmplices, estruturas partidárias fechadas e instituições públicas capturadas por interesses de grupo. É essa engrenagem, quase invisível, que garante que os mesmos partidos, nomes ou redes continuem a dominar o poder local, década após década, ainda que os rostos mudem e os discursos se modernizem.

No plano político, o sistema alimenta-se de partidos que funcionam como clubes privados, onde quem entra o faz por convite e quem sobe o faz por submissão. As escolhas internas não são decididas por mérito ou competência, mas pela fidelidade a quem manda. Assim, o caciquismo deixa de ser apenas uma prática local e torna-se uma estrutura institucionalizada de poder, onde cada nível protege o que está abaixo e obedece ao que está acima.

A nível autárquico, a engrenagem aperfeiçoou-se. O acesso a empregos municipais, contratos, subsídios e apoios é frequentemente condicionado por critérios de conveniência política. Os mesmos que controlam as decisões públicas controlam também as portas de entrada no sistema. Assim, o poder passa a ser uma moeda de troca, distribuída a quem serve e retirada a quem questiona. O medo de perder o lugar, o apoio ou o contrato transforma-se num eficaz instrumento de disciplina.

Em muitos concelhos, tal como em Coruche, o sistema constrói-se também através de uma rede de dependências institucionais: associações que vivem de protocolos com a câmara, juntas que dependem de transferências municipais, dirigentes que acumulam cargos em várias estruturas próximas do poder. Tudo isto cria uma teia onde a independência é cada vez mais difícil e onde a lealdade política se confunde com a gratidão pessoal.

Mesmo os “novos caciques” encontram neste sistema terreno fértil para crescer: entram em juventudes partidárias, integram listas, gerem associações locais e, aos poucos, vão sendo absorvidos pela lógica da conveniência. A máquina ensina-os a sobreviver e, mais tarde, a reproduzir o mesmo modelo. É um ciclo vicioso que mantém o poder no mesmo lugar.

Combater este sistema exige mais do que denunciar os caciques: exige transparência, escrutínio e coragem cívica. Exige que os partidos abram as portas à sociedade e deixem de ser máquinas de promoção pessoal. Exige que as autarquias publiquem todas as decisões e contratos de forma acessível, que as associações sejam avaliadas pelo seu trabalho e não pela sua proximidade política.

O caciquismo, afinal, não se combate apenas retirando o cacique, mas sim retirando-lhe o terreno onde cresce. Só assim o poder local poderá voltar a ser aquilo que deveria ser: um espaço de serviço público, e não um campo de fidelidades pessoais e ambições privadas.

 

EPÍLOGO: O PODER E AS SUAS SOMBRAS

Estas reflexões nasceram da necessidade de olhar o poder local com lucidez e espírito crítico, sem preconceitos, mas também sem receios. O caciquismo, velho ou novo, continua a ser um traço persistente da cultura política portuguesa, manifestando-se na forma como se exerce o poder e na maneira como muitos se relacionam com ele.

O objetivo não foi denunciar indivíduos, até porque com toda a certeza muitos dos leitores facilmente encontrarão nomes a quem os chapéus assentam na perfeição, mas questionar comportamentos e mecanismos que, mesmo em democracia, perpetuam a lógica do favor, da dependência e da lealdade pessoal. Cada texto procura iluminar um fragmento desse fenómeno que, de forma mais ou menos visível, se entranha nas relações locais e molda silenciosamente a vida pública.

Nesta breves ensaios sobre o caciquismo contemporâneo pretendemos pois fazer uma chamada de atenção à nossa responsabilidade coletiva: a democracia local, conquistada com tanto esforço, precisa de vigilância e coragem moral.

Falar de caciquismo é falar de ética e consciência pública — de como se decide, de quem beneficia e de quem se cala. É lembrar que o poder só é legítimo quando serve e que o silêncio é o primeiro aliado de todas as formas de abuso.

Enquanto houver medo de falar, favores a agradecer e convites que condicionam, o caciquismo continuará vivo.

Mas também é verdade que enquanto houver cidadãos dispostos a observar, questionar e exigir, a democracia continuará a respirar.

Pela minha parte, vou continuar atenta!

Coruche, 7 de novembro de 2025

04
Nov25

OS NOVOS CACIQUES: O CAMINHO DISCRETO PARA O PODER (Parte III)


Themis do Castelo

Depois de abordarmos as formas como as próprias instituições públicas podem ser instrumentalizadas para fins políticos, refletimos agora sobre o perfil dos protagonistas emergentes: aqueles que aprendem com o sistema, adaptam-se às suas regras e preparam o terreno para ocupar o poder no futuro.

O nosso olhar recai sobre uma geração que, sob o disfarce da participação cívica e associativa, repete os mesmos padrões de influência, dependência e ascensão estratégica que alimentam o caciquismo de ontem, mas agora com discurso moderno, redes sociais e linguagem de proximidade.

Não se trata de desconfiança em relação à juventude, mas de um alerta sobre a reprodução das mesmas lógicas de poder, muitas vezes travestidas de renovação. Quando a ambição se sobrepõe ao serviço e a fidelidade se torna caminho para a oportunidade, o ciclo repete-se: mudam as caras, mas o sistema permanece.

Este ensaio é, assim, uma reflexão sobre o futuro do poder local e um convite a pensar se estamos a formar cidadãos livres ou apenas novos aprendizes de caciques que, escondendo a sua ambição, olham mais para o próprio umbigo do que realmente para o bem comum e para o serviço público.


OS NOVOS CACIQUES: O CAMINHO DISCRETO PARA O PODER (Parte III)

O caciquismo já não vive apenas nas mãos dos velhos senhores do poder local, dos que controlavam votos à mesa do café ou decidiam obras e favores em troca de lealdade. Hoje, o caciquismo tem rosto novo e discurso moderno. Os “novos caciques” são mais jovens, mais instruídos e, muitas vezes, mais hábeis na arte de se mover entre instituições, partidos e associações. Têm ambições políticas ainda disfarçadas, mas um percurso cuidadosamente construído para entrar no comboio do poder.

Estes novos protagonistas começam por se aproximar de coletividades, associações culturais, desportivas ou recreativas onde o poder político já tem influência. Aí, conquistam visibilidade, constroem uma imagem de serviço público e, sobretudo, ganham acesso a redes e apoios. Participam em festas, eventos, comissões e grupos de trabalho, projetando-se como cidadãos empenhados. Mas, discretamente, vão criando pontes com quem decide — presidentes de junta, vereadores, assessores — procurando o momento certo para transformar a “participação cívica” em trampolim político.

Outra via frequente é a das juventudes partidárias, onde se aprende cedo que o mérito pesa menos do que a obediência e o alinhamento com a linha dominante. Muitos jovens entram nelas não pela convicção ideológica, mas pela expectativa de tirar dividendos futuros — um cargo, um emprego, uma oportunidade.

Há o conhecido caso em Coruche daquela jovem fajardense que em 2001, logo após as eleições autárquicas, se dirigiu à receção da Câmara Municipal e perguntou ao segurança onde é que se poderia inscrever no PS, partido que acabara de ganhar as eleições à CDU, e assim começou a sua caminhada até à Assembleia da República sem nunca ter tido sequer uma profissão. Desta forma, a política transforma-se num investimento de carreira e o caciquismo numa escola de sobrevivência e ascensão.

A propósito, não poderemos ignorar como em Coruche têm surgido novos rostos que, sem ainda se apresentarem como candidatos, multiplicam presenças em cerimónias, eventos desportivos e convívios organizados por entidades próximas do poder, cultivando a imagem de “gente dinâmica” e “comprometida com a terra”. São os aprendizes do sistema, os que percebem cedo que a proximidade ao poder rende mais do que a distância crítica.

O problema não está na juventude, nem na participação cívica, pelo contrário, ambas são essenciais à democracia. O problema está quando essa participação é instrumentalizada, quando as associações deixam de ser espaços livres e passam a ser viveiros de lealdades políticas, onde se prepara, pacientemente, a sucessão dos mesmos de sempre, com novos nomes mas velhas práticas.

Estes novos caciques já não distribuem sacos de farinha nem promessas de trabalho, mas distribuem simpatias, convites e selfies de grupo, transformando o convívio em capital político. É um caciquismo mais moderno, mais digital, mais sorridente, mas não menos perigoso, porque perpetua o mesmo ciclo de dependência e oportunismo.

Romper com essa lógica implica restituir autenticidade à vida associativa e ao serviço público, garantir que quem participa o faz por convicção e não por cálculo, e devolver à política o sentido de missão e não de carreira. Os lugares políticos são temporários e de serviço cívico e aos cidadãos que os desempenham não tem de corresponder posteriormente uma entrada direta nos quadros da autarquia ou qualquer instituição da administração publica.

Só assim se poderá dizer que, em vez de novos caciques, temos finalmente novos cidadãos.

Coruche, 4 de novembro de 2025

02
Nov25

O CACIQUISMO INSTITUCIONAL: QUANDO O PODER SE CONFUNDE COM A FESTA (Parte II)


Themis do Castelo

Na sequência do primeiro artigo, esta segunda reflexão foca-se nas formas atuais de instrumentalização das instituições públicas.

Os convívios desportivos, os passeios ou os almoços organizados em períodos de pré-campanha são apenas exemplos de como o poder se disfarça de gratidão e o voto de cortesia se confunde com o voto de consciência. São gestos simpáticos, mas que reforçam a velha ideia de que o benefício vem de quem manda — e não da sociedade a que todos pertencemos.

 

O CACIQUISMO INSTITUCIONAL: QUANDO O PODER SE CONFUNDE COM A FESTA (Parte II)

O caciquismo, nas suas formas mais subtis, sobrevive hoje sob a capa da normalidade institucional. Já não se manifesta apenas através do favor direto ou da pressão individual, mas pela apropriação política das próprias instituições públicas — câmaras municipais, juntas de freguesia ou associações locais — que, em vez de servirem o interesse coletivo, passam a atuar como instrumentos de propaganda e influência eleitoral.

Um exemplo particularmente visível deste caciquismo institucional ocorre nos períodos que antecedem as eleições autárquicas. Multiplicam-se então os “Passeios de Reformados” e os “Almoços/Convívio” promovidos por câmaras municipais e juntas de freguesia, financiados com dinheiros públicos e organizados com grande aparato logístico. À primeira vista, parecem gestos de reconhecimento e valorização dos mais velhos. No entanto, a coincidência com os períodos de pré-campanha eleitoral, a presença constante de presidentes, vereadores e candidatos, e a exibição ostensiva de fotografias e discursos de “agradecimento” transformam o que poderia ser um ato de convívio cívico num ritual político cuidadosamente encenado.

Nestes encontros, o poder local veste-se de proximidade e emoção. Há abraços, sorrisos, promessas e lembranças. O tom é cordial, mas o subtexto é claro: “não se esqueçam de quem vos dá isto”. É o voto embrulhado em afeto, o favor disfarçado de festa. A dependência constrói-se, assim, não pela imposição, mas pela gratidão, pela ideia de que o benefício recebido é pessoal e não um direito coletivo.

Este tipo de prática representa uma forma refinada de manipulação da cidadania. As instituições que deviam ser neutras e servir todos de igual modo são usadas para reforçar redes de lealdade e reconhecimento político, perpetuando o ciclo do “quem manda é quem dá”.

O caciquismo institucional é, por isso, mais perigoso do que o antigo caciquismo. É mais discreto, mais socialmente aceite, e dificilmente contestado porque se disfarça de gesto comunitário. Mas, no fundo, compromete os mesmos princípios: a igualdade, a transparência e a liberdade de voto. Combater esta prática implica separar, de forma clara, o que é ação pública legítima do que é instrumentalização política do poder, garantindo que a proximidade às pessoas não se transforme em dependência eleitoral.

Uma democracia sólida mede-se, afinal, não pelo número de festas organizadas, mas pela integridade das suas instituições e pela autonomia dos seus cidadãos.

Neste capítulo, em Coruche esta atividade pré-eleitoral foi intensa e um atropelo deliberado ao valores éticos que deveriam orientar a ação política das instituições e dos seus eleitos.

As listas de candidatos às Eleições Autárquicas/2025 tinham se ser apresentadas impreterivelmente até ao dia 18 de agosto, logo a maioria destes convívios com os munícipes votantes decorreram em período de pré-campanha e intensa atividade política, nomeadamente durante o mês de setembro, com os executivos da câmara municipal e das juntas de freguesia a partilharem entre si convites para participação nas diferentes atividades, sendo que muitos deles se encontravam já na dupla condição de eleitos e candidatos.

Poderão até argumentar “que sempre se fez nesta altura”, mas a verdade é que este ano “esta altura” teve contornos políticos e sociais diferentes dos anos anteriores e que, gente realmente séria, deveria ter em conta.

Espero sinceramente que estes novos executivos tenham a decência de no próximo ano eleitoral autárquico anteciparem uns meses a realização destas atividades públicas…

Irei estar atenta!

31 de outubro de 2025

01
Nov25

Entre o Silêncio e a Memória: Todos os Santos e Fiéis Defuntos — Rituais que unem a comunidade


Themis do Castelo

Entre o silêncio dos cemitérios, o Dia de Todos os Santos e o Dia dos Fiéis Defuntos continuam a ser, em Coruche como noutras terras, tempos de encontro com os que partiram e de comunhão entre os que ficam.

As famílias limpam e enfeitam as campas, acendem velas e levam flores — gestos simples, mas cheios de sentido, que transformam o luto em presença e o esquecimento em recordação.

À porta dos cemitérios, entre abraços e palavras breves, revive-se a memória dos que já não estão e reaviva-se o sentimento de pertença à comunidade.

Nestes rituais, profundamente enraizados na tradição popular, a dimensão espiritual cruza-se com a social: o respeito pelos antepassados é também uma forma de cuidar da identidade coletiva.

Recordar é também um ato de cidadania, porque quem honra a memória constrói continuidade e quem cultiva a lembrança dos seus constrói também a dignidade da sua terra.

31
Out25

O Dia das Bruxas e o Halloween (ou as novas lendas de Coruche)


Themis do Castelo

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Diz-se que na noite de 31 de outubro, no chamado Dia das Bruxas, os espíritos antigos voltam a percorrer os caminhos das aldeias, trazendo à memória as histórias e as lendas que o povo nunca esqueceu. Em muitas terras, as crianças mascaram-se e pedem guloseimas; noutras, os adultos recordam os tempos em que se falava de feitiços, maldições e almas penadas.
Em Coruche, porém, parece que o Halloween chegou muito antes desta noite. Por aqui, as bruxas e os demónios locais já não se escondem: fazem campanhas, comentam nas redes sociais e até participam nas eleições.

Há muito que as terras de Coruche guardam histórias de bruxas e de lobos, de aparições na charneca e de feitiços lançados à meia-noite junto aos poços. Mas os tempos mudaram e já ninguém teme as bruxas de chapéu pontiagudo, nem os cães de olhos flamejantes que vagueavam pelos caminhos. Hoje, as criaturas do imaginário coruchense reinventaram-se, trocaram os caldeirões por teclados e as vassouras por contas de Facebook.

Foi assim que, nas últimas eleições autárquicas, surgiram as novas lendas locais: a Bruxa Nova da Fajarda, a Bruxa Nova dos Olheiros e o inconfundível Cão Raivoso da Erra.

Diz-se que a primeira, a da Fajarda, gosta de sobrevoar os muros digitais da internet, lançando feitiços sobre páginas de candidatos e comentários de eleitores. Em vez de pó de sapo e penas de corvo, cria perfis falsos aos montes para levantar poeira em comentários e insultos reciclados. O seu feitiço preferido? O “ataque ao adversário mais forte”, que costuma lançar à meia-noite, entre um “partilhar” e um “denunciar publicação” em massa. A sua felicidade está no mal alheio, porque por si própria é incapaz de a alcançar.

Já a Bruxa Nova dos Olheiros é mais refinada: prefere a arte das ilusões. É mestra em transformar uma mentira num rumor, e um rumor numa tempestade de desinformação. Foi ela quem espalhou a grande profecia eleitoral da “incineradora de lixo” — um conto de terror perfeito para assustar o povo e lançar a dúvida nas mentes distraídas. Sabia que era falso, claro. Mas no mundo das bruxas modernas, a verdade é apenas um detalhe incómodo e, o mais importante, é garantir a manutenção do rendimento anual da consultoria para pequenas mezinhas e poções mágicas encomendadas pela Câmara Municipal, que ainda acumula com os atendimentos na sua tenda privada de bruxarias.

E depois há o Cão Raivoso da Erra. Um animal de natureza singular: ladra não por defesa, mas por despeito. Detesta toda a gente da terra e sabe que também ninguém morre de amores por ele, mas, ainda assim, é fiel a quem lhe passou a mão pelas orelhas e morde os calcanhares às gentes da sua própria terra, rosnando e babando ódio com a satisfação de quem pensa que a derrota alheia é uma vitória pessoal. Ironia das ironias: a corrente que lhe puseram é tão curta que não chega a comer nada, enquanto as bruxas se lambuzam.

É o cão que ladra não por amor à Erra, mas por rancor àqueles que a representam com mais dignidade do que ele jamais terá.

E assim, o imaginário coruchense ganhou novas figuras para as suas histórias de fim de tarde. Já não são as bruxas das lendas antigas que amaldiçoam os campos e fazem o gado adoecer — agora são as Bruxas Novas da Fajarda e dos Olheiros que amaldiçoam reputações e espalham mentiras virtuais escondendo o que realmente as motiva: a manutenção das suas vassouras e dos beneficios pessoais que estas lhes garantem… pelo menos mais quatro anos. O Cão Raivoso da Erra, esse, continua a rondar os caminhos digitais, a ladrar ao vento e a exibir o seu ódio como troféu.

Talvez, um dia, os netos desta terra contem estas histórias aos mais novos, entre risos:
— “Sabes, houve um tempo em que as bruxas não voavam — publicavam!”
E o cão?
— “Esse, meu filho, esse continuou a ladrar, porque nunca aprendeu a pensar.”

No fundo, Coruche continua mágica como sempre, só que agora, em vez de lendas de encantar, produz fábulas de envergonhar.

28
Out25

O CACIQUISMO E OS NOVOS CACIQUES (Parte I)


Themis do Castelo

Quem já ouviu falar do caciquismo?

O termo já não é muito utilizado atualmente, mas a sua prática mantêm-se a coberto da nossa democracia. O caciquismo é uma forma de poder político e social baseada na influência pessoal e no controlo local, em que determinados indivíduos — os chamados caciques — utilizam favores, dependências ou ameaças subtis para assegurar apoio e votos. É, no fundo, transformar a ligação entre eleitos e eleitores numa relação de dependência, onde o voto deixa de ser livre para se tornar um gesto de lealdade pessoal.

Historicamente, este fenómeno surgiu em Portugal no século XIX, durante a Monarquia Constitucional, num contexto de analfabetismo generalizado e forte desigualdade social. O cacique funcionava como intermediário entre o poder central e o povo, prometendo empregos, empréstimos, proteção ou pequenas ajudas em troca de fidelidade política. No mundo rural, essa influência era reforçada pela posição económica e social de quem controlava terras, negócios ou instituições locais. Mesmo com a implantação da República, o caciquismo manteve-se, adaptando-se aos novos partidos e às novas formas de poder local.

Desengane-se quem pensa que estas práticas desapareceram com o 25 de Abril de 1974, pois a democracia não conseguiu colocar um ponto final neste processo de domínio informal. Na verdade, o caciquismo não desapareceu — apenas se reinventou. Hoje, em vez do favor direto ou da ameaça aberta, o poder exerce-se muitas vezes através de redes partidárias, dependência económica e controlo institucional.

A propósito, recordo aqui um episódio recente ocorrido dias antes das últimas eleições autárquicas, quando numa esplanada coruchense alguém dizia, num sussurro mal disfarçado, “votem no PS que a minha irmã tem um cargo importante se o PS ganhar!”. E, na verdade, na primeira semana pós-eleições foram publicados três concursos de chefias: dois departamentos e uma divisão (basta seguir: https://diariodarepublica.pt/dr/home). A promessa já estava tratada e todo o processo devidamente preparado. Agora virão as nomeações antes dos concursos estarem concluídos. Fácil!

Mas houve também a entrada de inúmeras pessoas para o quadro de pessoal da autarquia por via da reserva de recrutamento – a situação em si nada tem de ilegal, pelo contrário é uma das boas possibilidades legais para colmatar a falta de funcionários. A questão é ética! É que a sua falta está identificada há muito tempo mas estes procedimentos foram feitos apenas durante o período pré-eleitoral e, entre contactos iniciais dos serviços, entrega de documentação e assinaturas de contratos, há todo um condicionamento propositado dessas pessoas que limita a exposição publica das suas ideias políticas e a eventual opção para integrar listas concorrentes à força dominante do executivo que a está a contratar, ou seja que lhe “está a dar emprego”. E este condicionamento aplica-se não só às próprias pessoas contratadas como aos seus familiares diretos, pois o marido/mulher, os pais ou os filhos também não irão manifestar-se ou tomar posições que possam prejudicar essa “entrada na Câmara Municipal”. Certo?

Mas nesta rede de favores e cobranças, também há quem se sinta “obrigado a agradecer”, como o caso da senhora, a quem até é reconhecido um estatuto profissional digno, mas que nunca se quis expor politicamente e, desta vez, foi das primeiras a “pegar na bandeira”, certamente pela contratação da filha e, mais recentemente, de outro familiar direto para os quadros da Câmara Municipal.

Noutras situações, o caciquismo moderno manifesta-se em gestos quotidianos, menos visíveis mas igualmente eficazes: o telefonema “amigável” que lembra que “tu vê lá o que fazes”, quando alguém é convidado a integrar uma lista partidária ou pressionado a não apoiar outra – e houve vários exemplos de funcionários municipais e dirigentes associativos que, de forma sincera, primeiramente se entusiasmaram com a perspetiva de mudança para depois recuarem, pedindo desculpas “por não poderem dar a cara”.

São sinais de um sistema que, mesmo em contexto democrático, tenta perpetuar relações de dependência e medo, substituindo o mérito e a transparência por lealdades pessoais e silêncios convenientes.

Combater o caciquismo é defender uma democracia de cidadãos livres e informados, onde o poder é exercido com responsabilidade e não como propriedade. Só com transparência, participação e fiscalização ativa se pode quebrar o ciclo de favores e dependências que ainda hoje, também em Coruche, continua a limitar a verdadeira liberdade democrática.

Só assim se garante que o poder local serve verdadeiramente o bem comum e não apenas os interesses pessoais de alguns!

28 de outubro de 2025

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