S. Martinho – História, Lenda e Tradição
Themis do Castelo
S. Martinho – História, Lenda e Tradição
São Martinho de Tours nasceu na Panónia (atual Hungria) por volta do ano 316 e foi um dos primeiros santos não mártires venerados pela Igreja. Soldado romano convertido ao cristianismo, é lembrado sobretudo pelo gesto de compaixão que deu origem à sua lenda: numa noite fria, ao encontrar um mendigo quase nu, Martinho cortou com a sua espada a capa que vestia e deu-lhe metade para se aquecer. Na mesma noite, conta-se que Jesus lhe terá aparecido em sonho...
Após deixar o exército, Martinho tornou-se monge e, mais tarde, bispo de Tours, em França, onde fundou mosteiros e defendeu a fé com humildade e dedicação. Terá morrido em 397 e o seu culto espalhou-se rapidamente por toda a Europa cristã.
O Dia de S. Martinho, celebrado a 11 de novembro, está profundamente ligado às tradições agrícolas e populares. Coincidindo com o fim das colheitas e a prova do vinho novo, tornou-se uma das festas mais emblemáticas do outono português.
É tempo de castanhas assadas, água-pé e vinho novo, partilhados em ambiente de confraternização comunitária — é o chamado Magusto.
Mas esta celebração é mais do que um momento de festa popular. É uma tradição enraizada na partilha e na solidariedade, inspirada no gesto generoso do santo, com os magustos comunitários, onde se renova esse espírito de entreajuda. Hoje, muitas coletividades, associações e instituições locais mantêm viva a tradição organizando magustos solidários, cujas receitas revertem para apoios sociais e causas humanitárias.
Alguns dizeres populares associados a este dia:
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“No dia de S. Martinho, vai à adega e prova o vinho.”
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“Pelo S. Martinho, castanhas, pão e vinho.”
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“No dia de S. Martinho, mata o porco e prova o vinho.”
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“No dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho
A celebração combina fé, partilha e gratidão pelas colheitas, evocando também o milagre do chamado “verão de S. Martinho”, um período de bom tempo que, segundo a tradição, surge sempre por esta altura em lembrança do gesto generoso do santo.
